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Temporada em "CUDOMUNDO"


O comércio de CUDOMUNDO nunca esteve preparado para atender os turistas. Bem na época em que podiam ganhar dinheiro, falta mercadoria. Você vai tomar sua cerveja preferida e quando está começando a ficar bom, o garçom vem e diz: "Acabou esta cerveja, agora só temos a outra." - Vocês já viram 5 garçons dando encontrão ao mesmo tempo? Estão acostumados a atender 5 mesas, se houverem 20 mesas, ficam tão desesperados que perguntam até aos pedestres na calçada: - Essa porção é sua? Falando nisso.... Tem mercado no Pontal da Cruz? Se tinha agora é loja de móveis. só vende prateleiras.
Não consigo entender essa cidade. As pessoas sonham em ter o seu próprio negócio, gastam uma grana com o ponto, os móveis, as mercadorias e quando começam a trabalhar, em poucos meses descobrem que o dinheiro sai mais do que entra. O aluguel corrói seu sonho, as multas aplicadas pelo "Estado" e "Administração Municipal" estupram sua conta corrente e você fica parecendo um cego em tiroteio. Quando volta a si, ainda com o ouvido zunindo dos tiros, no primeiro passo você cai em um poço sem fundo. Então só lhe resta arrumar as malas, abandonar tudo, trocar de nome e ir morar no Paraguai, virando camelô na "Ponte da Amizade".
Tudo bem, tudo bem... O carnaval está se aproximando. Se sobrar um "dim dim", você toma umas, sai bêbado no bloco dos sujos, acorda no domingo com o sol na cara, com aquela ressaca brava e uma dor descomunal na unha encravada do dedão do pé esquerdo.... Sim, aquela que você adquiriu no dia em que saiu correndo para jogar na Mega Sena da Virada. Deixou para a última hora e tropeçou no degrau da casa lotérica ao entrar correndo e desesperado. Você, caído ali em alguma sarjeta alagada pela chuva de sábado.... Zomzo, passa a mão na bunda por dentro daquela calcinha ridícula que você colocou no dia anterior para sair no "Bloco dos Sujos" e certificar-se de que não fez nenhuma bobagem... E então aquele sininho soa em sua cabecinha de camarão. Hoje tem "Carnamar"!
Mais uma vez, correndo desesperado com aquela calcinha enterrada na "buzanfa", as pessoas te olhando incrédulas, alguns homens assoviando com aquele olhar estranho.... A única coisa que você encontra para tentar tapar sua nudez parcial é uma embalagem de TAMPAX. Pronto, agora a fantasia está completa. Vamos e venhamos, é melhor do que enfiar um palito no rabo e dizer que está fantasiado de picolé. Chegando ao ponto de ônibus, aquele ponto lotado de beatas recém saídas da igreja.... Pois é, enquanto zoamos no carnaval, tem gente que vai à igreja rezar por todos, inclusive você que está com a calcinha enterrada na "buzanfa". Algumas estão tapando os olhos, outras saem correndo, algumas poucas sorrindo sacanamente para você e então o ônibus para no ponto. Então, você da aquele suspiro de alívio. Mal sabe você que o dia estava apenas começando e sua saga se arrastaria por mais três noites. Não paro de pensar naquela calcinha enterrada na "buzanfa". Já mencionei que ela era vermelha?
No ônibus, lotado, você precisa ficar em pé. Uma molecada terrível sentada ao fundo percebe sua entrada triunfal. Sua vontade é de se jogar pela janela, mas percebe que o ônibus não sai do lugar. Um imenso congestionamento se forma e o ônibus começa a se locomover à uma incrível velocidade de dez quilômetros por hora, parando a cada cinco metros. Para sua sorte você está vestido apenas com aquela calcinha enterrada na "buzanfa", pois o calor dentro do ônibus é infernal. Três horas depois você consegue chegar ao Pier do Pontal da Cruz. Não aguentando mais a zoeira da molecada que por vezes passa a mão em sua bunda, você resolve descer e ir à pé até o "Bairro São Francisco".
Na praia, descalço, você prefere correr, parecendo uma libélula desvairada. As bolhas formadas em sua sola do pé começam a estourar, fazendo com que você se pareça à um calango manco. Conseguem imaginar um calango manco com a calcinha enterrada na "buzanfa"? Nem eu.
Enfim você consegue chegar à praia para o "Carnamar" e acaba descobrindo que todos os barcos já saíram, restando apenas tomar mais umas. E como tomar mais umas se você tem apenas uma calcinha enterrada na "buzanfa" e uma embalagem vazia de TAMPAX? Bem, o resto fica por sua conta e risco.

Texto/Ilustração: Mood


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